Luciano Abreu Acessória Esportiva

Luciano Abreu Acessória Esportiva

A Coluna Vertebral e Suas Curvas


A Coluna Vertebral é formada por quatro curvas fisiológicas que se apresentam da seguinte forma:
Coluna Cervical;
Coluna Torácica;
Coluna Lombar;
Coluna Sacra;
   O desvio dessas curvaturas e dos acidentes anatômicos em relação à linha espondilea provocam o que chamamos de desvios posturais. Esses desvios podem ser avaliados tanto pelo fisioterapeuta (objetivos) como pelos professores de E.F em academias (subjetivos)
Cuidados para o exame Subjetivo
Deve ser realizado em local que possua fundo liso e branco;
O testador deve se colocar a distância de 3-5 metros do testado, para que se tenha uma visão global do aluno;
O testado deve se posicionar afastado da parede na sua posição natural de repouso;
O testado deve estar próximo da nudez;
Verifica-se partindo da parte inferior para a superior (pés, joelhos, pelve, coluna, ombros e cabeça);
Utilização do fio de prumo e lápis dermográfico , tornam a análise mais eficiente.
Como Avaliar os Desvios Posturais
Visão Anterior: De frente para o avaliador, observamos se as duas linhas dos ombros estão paralelas entre si e o solo. Se não ocorrer, indica uma possível escoliose no testado. Em caso de desvio de quadril o testado deve ser encaminhado a um ortopedista para exames.
Visão Anterior com Flexão de Tronco(teste de ADAM): Observamos se o testado tem escoliose, se as vértebras já fizeram rotação, que se caracteriza por uma gibosidade no local da curvatura escoliótica.

Verificamos se o testado tem o pé abduto ou aduto, se os joelhos estão varo ou valgo, a linha do quadril, a linha dos ombros, se tem Hipercifose Torácica ou Cervical.
Visão Lateral : De perfil para o avaliador, lado direito e esquerdo, verificamos se o testado possui: Geno Recurvato, Geno Flexo, Hiperlordose Lombar, Costa Plana.
Visão Posterior: De costas para o avaliador, observamos as linhas dos ombros e do quadril para confirmar as observações feitas na visão anterior. Marcaremos todos os processos espinhosos, para verificar possível desvio de linha espondílea ou escoliose. Confirmaremos também os joelhos, tendões de aquiles (pé valgo ou varo) . No pé varo, o tendão de aquiles projeta-se para a parte externa do corpo, fazendo com que o calcâneo se projete para dentro e o pé valgo é a projeção do calcâneo para fora do corpo, fazendo com que o tendão se projete para a parte interna do corpo.
Fonte: Musculação de Academia - Cossenza
DESVIOS POSTURAIS
HIPERLORDOSE CERVICAL: Acentuação da concavidade da coluna cervical, colocando o ponto trago para traz da linha de gravidade. É causada , geralmente pela hipertrofia da musculatura posterior do pescoço.
Como corrigir: É necessário um trabalho de força na musculatura anterior do pescoço (esternocleidooccipitomastóideo, escalenos e pré-vertebrais) e um trabalho de alongamento da musculatura posterior.

Exercicios: Procurar encostar a coluna cervical na parede, contraindo a musculatura anterior do pescoço sem desencostar a cabeçada parede; flexão de pescoço em decúbito dorsal, com a cabeça pendente; flexão de pescoço com auxílio do puxador.




HIPERCIFOSE: Acentuação da convexidade da coluna torácica, colocando o ponto acromial à frente da linha de gravidade. Pode ser do tipo flexível (quando a correção pode ser obtida através de contração muscular voluntária - causada por maus hábitos posturais) ou rígida (é quando a correção já não pode ser obtida com uma simples contração muscular ou manual, devido a frequência de uma atitude cifótica - A musculatura anterior do tórax está muito hipertrofiada e a posterior está muito alongada).

Como corrigir:

Alongar: reto abdominais, paravertebrais (longuíssimo, ílio, costal e multifídio);
Fortalecer: Paravertebrais (ex: exercício bom dia)

Com Escápula Alada ou Abduzida: alongar deltóide anterior peitoral> e <, córaco braquial, porção longa do bíceps braquial. Fortalecer porção transversa de trapézio e Rombóides maior e menor.

Obs: tendência a lesão do manguito rotator devido a má vascularização do supraespinhoso.

Fonte Atualização 2004: Apostila de curso do Prof. Sandro da Matta

Flexível: trabalhar a musculatura posterior do tórax (trapézio III, rombóides, dorsal maior e redondo maior e conscientização do aluno para que sempre corrija sua atitude cifótica errada. Exercícios corretivos: remada curvada, crucifíxo inverso,abrir cabos no puxador duplo no plano horizontal.
Rígida: hipertrofiar a musculatura posterior do tórax, alongar a musculatura anterior do tórax e um desbloqueio torácico, causado pelo abaixamento das costelas.
Exercícios Corretivos: os mesmos da cifose flexível, suspensão alongada com apoio dorsal - indivíduo em suspensão alongada, coloca-se um apoio na curvatura da cifose e deslocamento dos ombros - indivíduo em pé, segura uma corda esticada nas mãos. Deve passá-la por cima da cabeça, levando-a até os glúteos, sempre esticada.
HIPERLORDOSE LOMBAR: é caracterizada pela acentuação da concavidade lombar, colocando o ponto trocantérico para traz da linha de gravidade. Causada pela hipertrofia da musculatura lombar (dorsal, ilíaco dorsal, ilíaco lombar, ilio-psoas, semi-espinhal, interespinhal, rotatores, epiespinhais, intertransversais), ou por enfermidades.

Alongar: Tensor da Fáscia Lata, Sartório, adutores, ílio-psoas e pára-vertebrais;
Fortalecer: Ísquio tibiais, Abdominais oblíquos, Reto Abdominal e Glúteo Máximo.

Fonte Atualização 2004: Apostila de curso do Prof. Sandro da Matta
Exercícios sugestão : Abdominal remador, encolhimento de pernas fletidas na prancha inclinada, encostar a coluna lombar na parede fazendo movimento de retroversão do quadril, contraindo o abdômen, flexão de tronco com os joelhos fletidos e pés fixos, elevação da cintura escapular do solo, em decúbito dorsal, pernas flexionadas e pés fixos.


COSTA PLANA: é a inexistência ou inversão de qualquer das curvaturas da coluna vertebral. Geralmente apresenta-se na coluna lombar e causada pela hipertrofia da musculatura abdominal e pela hipotonia da musculatura lombar.
Leia mais: Retificação da coluna

Como corrigir: Trabalhar a musculatura da coluna lombar (dorsal largo, ilíaco lombar, ilíaco dorsal, iliopsoas, semi-espinhais, rotatores, espinhais, intertransversais ) .
Corretivos: Mata borrão (decúbito ventral, segurar os pés e fazer o balanço do corpo), ponte (decúbito dorsal, procurar ficar apoiado nas mãos e nos pés arqueando o corpo o máximo que puder, extensão da coluna (deitado em decúbito ventral, mãos na nuca, fazer a extensão da coluna e voltar a posição inicial), bom dia, levantamento terra.

ESCOLIOSES: São deformações da coluna vertebral, fazendo com que a linha espondílea não fique reta. Segundo Kapandji, 1990, há uma inclinação com uma rotação vertebral. Ex: se for escoliose direita o c volta-se para a esquerda e o alongamento (membros) volta-se para a direita.

Classificação de Lange apud silva filho (2000):
Congênita
Do bebê
Idiopática: infantil (0-3-4 anos); Juvenil (5-11 anos); adolescente(12 até o fim do crescimento ósseo)
paralítica
Estática
Cicatricial
Pós-traumática
Metabólica
Histérica

Tipos(VILADOT, COHI & CLAVELL,1989):
Cérvico-dorsal (aparece uma curva na região cervical e outra na torácica)
Dorsal (aparece apenas na região torácica)
Dorso-Lombar (aparece uma curva na região torácica e outra na lombar) Ex: escoliose dorsal direita e lombar esquerda.

Terminologia (VILADOT, COHI & CLAVELL,1989):
Escoliose não estruturada: curva flexível que desaparece durante os movimentos de inclinação lateral do tronco, não sendo acompanhada de rotação dos corpos vertebrais.
Escoliose Estruturadas: apresenta rotação vertebral, gibosidade e/ou proeminência da crista ilíaca no teste de Adam, que não desaparece com inclinação lateral.

Quanto a Curvatura: Primária (estruturada - nasce com ela) e Secundária(transitória - pode sumir)

TRATAMENTO:
Leve 10°-20°- com exercícios
Moderada 20°- 40°- ou 50°- Exercícios e órteses (colete)
Grave >40° ou 50°- Cirurgia

Fonte Atualização 2004: Apostila de curso do Prof. Sandro da Matta
   Podem ser causadas por diferença de tamanho entre os membros inferiores, por atitudes erradas de estudo e também, pela hipertrofia de uma das musculaturas laterais da coluna.
Corretivos: Exercícios unilaterais, suspensão alongada no espaldar com elevação de ombro que estiver mais baixo ou com a elevação do quadril que estiver mais baixo (no caso de escolioses torácicas e lombares direita ou esquerda); e exercícios unilaterais. Podem ser feitas em 4 apoios, levanto a mão para o lado da escoliose na frente; e se for lombar levar a perna para o lado da escoliose cruzando a perna estendida por cima da outra. Pode-se fazer de pé segurando no espaldar ou parede cruzando a perna por traz com inclinação, levando o pé para o lado da escoliose. Ex: escoliose torácica esquerda, leva mão direita a frente para o lado esquerdo. Escoliose lombar direita, cruza a perna esquerda por traz da outra para o lado direito em 4 apoios.
   Podem ser causadas pela compensação da escoliose simples, geralmente localizada no desvio lateral inferior, ou por encurtamento de algum membro inferior.
Corretivos: Devemos atuar primeiro no desvio primário, geralmente localizado na região lombar, para depois atuarmos nos desvios compensatórios. Os exercícios devem ser: suspensão alongada e alogamentos sem suspensão
Escoliose Simples
fonte : Revista Sprint julho/ago 2000
BICO DE PAPAGAIO: Nome popular dado a Osteofitose;
A adoção de posturas erradas leva, ao longo do tempo, a lesões das articulações vertebrais. A osteofitose aparece decorrente da protrusão progressiva do anel fibroso do disco intervertebral, dando origem à formação de osteofitos cujos efeitos são agravados pela desidratação gradual do disco intervertebral, causando a aproximação das vértebras, comprimindo a raiz nervosa e causando dores.

Causa: Com o tempo, vários fatores de risco atuam em conjunto ocasionando a dor: condicionamento físico deficiente, má postura, mecânica anormal dos movimentos, pequenos traumas, esforço repetitivo, etc...

Prevenção:
Atividade física (hidroginástica, natação e alongamento são recomendados);
Evitar a obesidade, pois pode resultar em sobrecarga para a coluna;
Tenha cuidado com posturas incorretas ao se sentar.
Evitar levantar demasiada sobrecarga se não tiver a musculatura dorsal e abdominal suficiente preparadas.

Alívio: Compressas quentes sobre a área dolorida ajudam a aliviar a dor.

Exercícios:
Realizar exercícios de extensão da passiva;
Corrigir desalinhamento postural (incluindo lateral);
Realizar exercícios de fortalecimento para os músculos abdominais e extensores;
Acrescentar exercícios de flexão após ter ocorrido desaparecimento das dores.


ESPONDILOLISTESE: Quando se escorrega uma vértebra sobre a outra - Fortalecer o longíssimo, ílio costal lombar e paravertebrais próximos. Evitar rotação de tronco e inclinação até o limite da dor analisando cada caso.

ESPONDILÓLISE: Quando se escorrega uma vértebra sobre a outra com FRATURA. Evitar rotação de tronco e inclinação até o limite da dor analisando cada caso.

Adaptações ao Treinamento de Força sobre o Sistema Cardiocirculatório

A adaptação subaguda ao exercício inicia-se logo após o término da atividade física e pode perdurar por 3 a 4 horas, sendo observada após atividade dinâmica ou estática. A redução regional da RVP, da resposta adrenérgica, do DC, do volume plasmático pós-esforço, além da termodilatação, constituem os fatores envolvidos na resposta subaguda ao exercício.
A prática regular de exercícios físicos reduz a PA, além de trazer outros benefícios para o paciente com HAS, tais como:
1) redução do peso corporal, em especial pela redução da gordura corporal central demonstrada por uma relação cintura/quadril anormal (> 0,80 para o sexo feminino e > 0,90 para o sexo masculino);
2) redução da resistência insulínica;
3) correção das dislipidemias;
4) estímulo ao abandono do tabagismo;
5) aumento da capacidade funcional;
6) aumento da densidade mineral óssea;
7) redução do estresse e melhora da sensação de bem-estar.
Uma diminuição da PA em repouso de 10 a 15 mmHg para a PAS e de 5 a 10 mmHg para a PAD pode ser observada após 4 a 8 semanas de atividade física regular; em pacientes obesos, a perda de 10% do peso inicial poderá promover reduções adicionais. Decréscimo dos níveis da PA ao esforço submáximo são comuns e bem documentados.
As respostas cardiovasculares agudas(medidas realizadas durante a execução do exercício de forma isolada) ao exercício proporcionam aumento da freqüência cardíaca (FC) e da pressão arterial (PA) mediado pelo sistema nervoso simpático, cuja ação sobre a liberação de catecolaminas afeta a permeabilidade ao sódio e ao cálcio no músculo cardíaco e na resistência periférica vascular. A FC reflete a quantidade de trabalho que o coração deve realizar para satisfazer as demandas metabólicas quando iniciada a atividade física, porém, em alguns trabalhos, não foram observadas mudanças significativas com o treinamento de força de forma dinâmica. A elevação da pressão arterial (PA) durante o exercício é regulada pelo sistema nervoso simpático, sendo influenciada pelos aumentos da freqüência cardíaca, volume sanguíneo, volume de ejeção e aumento da resistência periférica. O duplo-produto é considerado o melhor indicador não-invasivo para se avaliar o trabalho do miocárdio, durante o repouso ou esforços, sendo bastante eficiente como indicador de sobrecarga cardíaca em exercícios de força. No entanto, para a prescrição dos exercício, algumas variáveis fisiológicas devem ser monitoradas, tais como a FC e a PA. A observação isolada dessas variáveis não garante um nível significativo de segurança, porém, a associação entre elas pode fornecer informações que se correlacionam com o consumo de oxigênio pelo miocárdio, denominado DP, sendo calculado a partir da multiplicação da pressão arterial sistólica pela  FC. Em suma, o objetivo do estudo foi verificar as respostas cardiovasculares (freqüência cardíaca, pressão arterial e duplo-produto) agudas após a utilização prévia dos exercícios de força. Consideram-se respostas agudas ao exercício aquelas que ocorrem durante a sua realização, em sessões isoladas de treinamento, enquanto que as respostas crônicas estão associadas a adaptações fisiológicas que ocorrem num prazo mais longo, decorrentes de treinamento regular e dependentes do tipo de sobrecarga aplicada. Segundo Araújo, os efeitos crônicos do exercício representam a diferenciação entre sujeitos treinados e sedentários. Assim, as adaptações crônicas, por resultarem de um somatório de respostas agudas continuadas, poderão induzir respostas diferentes em indivíduos treinados, que se poderão manifestar tanto em repouso quanto durante o exercício.
Quando se procura afirmar, por exemplo, que o treinamento modifica o comportamento de uma variável qualquer durante o esforço, isso pode ser interpretado como uma manifestação de adaptações crônicas subjacentes. No que se refere especificamente à dimensão cardiovascular, o I Consenso Nacional de
Reabilitação Cardiovascular considera que as respostas agudas podem ser observadas durante ou imediatamente após o exercício físico (como no caso dos incrementos de pressão arterial e frequência cardíaca), mas também de forma tardia, até 24h após uma sessão de treinamento um exemplo é a discreta redução dos níveis pressóricos após sessões moderadas de treinamento aeróbio, por vezes exibida por indivíduos hipertensos. As respostas cardiovasculares agudas ao exercício consistem em uma série complexa de ajustes para fornecer aos músculos em atividade um suprimento adequado de sangue, ao mesmo tempo em que se dissipa calor e se mantém um aporte de nutrientes necessários a órgãos vitais como o cérebro e o coração. O aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial durante o exercício é principalmente mediado pelo sistema nervoso simpático, cuja ação sobre a liberação de catecolaminas afeta a permeabilidade ao sódio e ao cálcio no músculo cardíaco e na resistência periférica vascular. O acompanhamento da forma pela qual reagem à administração de cargas pode ser útil na apreciação do estresse cardiovascular relativo às intensidades do exercício.
Além de, isoladamente, fornecerem informações importantes sobre o nível de adaptação às cargas, estas variáveis permitem o cálculo do duplo-produto (frequência cardíaca multiplicada pela pressão arterial sistólica). O duplo-produto é considerado o melhor método não invasivo para se avaliar o trabalho do miocárdio, durante o repouso ou esforços físicos contínuos de natureza aeróbia, pois apresenta uma forte correlação com o consumo de oxigênio pelo miocárdio. Esta associação dilui-se em exercícios intermitentes, mas ainda assim o duplo-produto é considerado o melhor indicador de sobrecarga cardíaca em exercícios de força. Logo, trata-se de uma variável estreitamente relacionada com a segurança da atividade, dando subsídios adicionais à manipulação de sua intensidade absoluta e relativa. Seria interessante utilizá-lo como parâmetro de segurança, ajudando a definir quais tipos de atividades poderiam estar associados a maiores riscos de intercorrência cardíaca. A importância da monitorização e controle das respostas agudas cardiovasculares, portanto, ultrapassa a esfera da prescrição de cargas adequadas para obtenção dos efeitos desejados. Trata-se de providência fundamental na condução segura das atividades propostas, tornando-se mandatória quando se trata de trabalhar com indivíduos cujas condições clínicas permitem pensar em risco cardiovascular aumentado.


Referências Bibliográficas:

ALVES, Alex Souto Maior; GONÇALVES, Wesley Rodrigo; MAROCOLO JÚNIOR, Moacir. Resposta aguda da pressão arterial, da freqüência cardíaca e do duplo-produto após uma sessão de eletroestimulação em exercícios de força. Revista da SOCERJ, Rio de Janeiro, v. 20, n. 1, p. 1-7, jan./fev. 2007.

Teixeira, José Antônio Caldas. Respostas da pressão arterial ao esforço em hipertensos, 2006

Farinatti e Polito. Respostas de frequência cardíaca, pressão arterial e duplo-produto ao exercício contra-resistência: uma revisão da literatura, 2006