A adaptação subaguda ao exercício inicia-se logo após o término da atividade física e pode perdurar por 3 a 4 horas, sendo observada após atividade dinâmica ou estática. A redução regional da RVP, da resposta adrenérgica, do DC, do volume plasmático pós-esforço, além da termodilatação, constituem os fatores envolvidos na resposta subaguda ao exercício.A prática regular de exercícios físicos reduz a PA, além de trazer outros benefícios para o paciente com HAS, tais como:
1) redução do peso corporal, em especial pela redução da gordura corporal central demonstrada por uma relação cintura/quadril anormal (> 0,80 para o sexo feminino e > 0,90 para o sexo masculino);
2) redução da resistência insulínica;
3) correção das dislipidemias;
4) estímulo ao abandono do tabagismo;
5) aumento da capacidade funcional;
6) aumento da densidade mineral óssea;
7) redução do estresse e melhora da sensação de bem-estar.
Uma diminuição da PA em repouso de 10 a 15 mmHg para a PAS e de 5 a 10 mmHg para a PAD pode ser observada após 4 a 8 semanas de atividade física regular; em pacientes obesos, a perda de 10% do peso inicial poderá promover reduções adicionais. Decréscimo dos níveis da PA ao esforço submáximo são comuns e bem documentados.
As respostas cardiovasculares agudas(medidas realizadas durante a execução do exercício de forma isolada) ao exercício proporcionam aumento da freqüência cardíaca (FC) e da pressão arterial (PA) mediado pelo sistema nervoso simpático, cuja ação sobre a liberação de catecolaminas afeta a permeabilidade ao sódio e ao cálcio no músculo cardíaco e na resistência periférica vascular. A FC reflete a quantidade de trabalho que o coração deve realizar para satisfazer as demandas metabólicas quando iniciada a atividade física, porém, em alguns trabalhos, não foram observadas mudanças significativas com o treinamento de força de forma dinâmica. A elevação da pressão arterial (PA) durante o exercício é regulada pelo sistema nervoso simpático, sendo influenciada pelos aumentos da freqüência cardíaca, volume sanguíneo, volume de ejeção e aumento da resistência periférica. O duplo-produto é considerado o melhor indicador não-invasivo para se avaliar o trabalho do miocárdio, durante o repouso ou esforços, sendo bastante eficiente como indicador de sobrecarga cardíaca em exercícios de força. No entanto, para a prescrição dos exercício, algumas variáveis fisiológicas devem ser monitoradas, tais como a FC e a PA. A observação isolada dessas variáveis não garante um nível significativo de segurança, porém, a associação entre elas pode fornecer informações que se correlacionam com o consumo de oxigênio pelo miocárdio, denominado DP, sendo calculado a partir da multiplicação da pressão arterial sistólica pela FC. Em suma, o objetivo do estudo foi verificar as respostas cardiovasculares (freqüência cardíaca, pressão arterial e duplo-produto) agudas após a utilização prévia dos exercícios de força. Consideram-se respostas agudas ao exercício aquelas que ocorrem durante a sua realização, em sessões isoladas de treinamento, enquanto que as respostas crônicas estão associadas a adaptações fisiológicas que ocorrem num prazo mais longo, decorrentes de treinamento regular e dependentes do tipo de sobrecarga aplicada. Segundo Araújo, os efeitos crônicos do exercício representam a diferenciação entre sujeitos treinados e sedentários. Assim, as adaptações crônicas, por resultarem de um somatório de respostas agudas continuadas, poderão induzir respostas diferentes em indivíduos treinados, que se poderão manifestar tanto em repouso quanto durante o exercício.
Quando se procura afirmar, por exemplo, que o treinamento modifica o comportamento de uma variável qualquer durante o esforço, isso pode ser interpretado como uma manifestação de adaptações crônicas subjacentes. No que se refere especificamente à dimensão cardiovascular, o I Consenso Nacional de
Reabilitação Cardiovascular considera que as respostas agudas podem ser observadas durante ou imediatamente após o exercício físico (como no caso dos incrementos de pressão arterial e frequência cardíaca), mas também de forma tardia, até 24h após uma sessão de treinamento um exemplo é a discreta redução dos níveis pressóricos após sessões moderadas de treinamento aeróbio, por vezes exibida por indivíduos hipertensos. As respostas cardiovasculares agudas ao exercício consistem em uma série complexa de ajustes para fornecer aos músculos em atividade um suprimento adequado de sangue, ao mesmo tempo em que se dissipa calor e se mantém um aporte de nutrientes necessários a órgãos vitais como o cérebro e o coração. O aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial durante o exercício é principalmente mediado pelo sistema nervoso simpático, cuja ação sobre a liberação de catecolaminas afeta a permeabilidade ao sódio e ao cálcio no músculo cardíaco e na resistência periférica vascular. O acompanhamento da forma pela qual reagem à administração de cargas pode ser útil na apreciação do estresse cardiovascular relativo às intensidades do exercício.
Além de, isoladamente, fornecerem informações importantes sobre o nível de adaptação às cargas, estas variáveis permitem o cálculo do duplo-produto (frequência cardíaca multiplicada pela pressão arterial sistólica). O duplo-produto é considerado o melhor método não invasivo para se avaliar o trabalho do miocárdio, durante o repouso ou esforços físicos contínuos de natureza aeróbia, pois apresenta uma forte correlação com o consumo de oxigênio pelo miocárdio. Esta associação dilui-se em exercícios intermitentes, mas ainda assim o duplo-produto é considerado o melhor indicador de sobrecarga cardíaca em exercícios de força. Logo, trata-se de uma variável estreitamente relacionada com a segurança da atividade, dando subsídios adicionais à manipulação de sua intensidade absoluta e relativa. Seria interessante utilizá-lo como parâmetro de segurança, ajudando a definir quais tipos de atividades poderiam estar associados a maiores riscos de intercorrência cardíaca. A importância da monitorização e controle das respostas agudas cardiovasculares, portanto, ultrapassa a esfera da prescrição de cargas adequadas para obtenção dos efeitos desejados. Trata-se de providência fundamental na condução segura das atividades propostas, tornando-se mandatória quando se trata de trabalhar com indivíduos cujas condições clínicas permitem pensar em risco cardiovascular aumentado.
Referências Bibliográficas:
ALVES, Alex Souto Maior; GONÇALVES, Wesley Rodrigo; MAROCOLO JÚNIOR, Moacir. Resposta aguda da pressão arterial, da freqüência cardíaca e do duplo-produto após uma sessão de eletroestimulação em exercícios de força. Revista da SOCERJ, Rio de Janeiro, v. 20, n. 1, p. 1-7, jan./fev. 2007.
Teixeira, José Antônio Caldas. Respostas da pressão arterial ao esforço em hipertensos, 2006
Farinatti e Polito. Respostas de frequência cardíaca, pressão arterial e duplo-produto ao exercício contra-resistência: uma revisão da literatura, 2006
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